Arquivo mensal: março 2010

Justified e o episódio piloto.

Mais um show policial, porém como já era de se esperar de um canal a cabo, o desenvolvimento ficou por conta dos personagens e não pela situação em si.

Justified em seu episódio piloto apresentou um dos melhores diálogos para uma série do gênero, além de fugir um pouco do clichê de tornar o caso da semana a principal atração do episódio, deixando as motivações e imperfeições dos personagens de lado.

A parte técnica ajudou e muito para criar o clima perfeito, tanto na intensa cena inicial, como no confronto final, chegando à uma conclusão limite.

Timothy Olyphant defende perfeitamente seu personagem, mostrando ter sido a escolha certa para carregar a série, porém os coadjuvantes e convidados também não ficam atrás, em especial Walton Goggins e Joelle Carter.

FX acertou e muito com The Shield, mas deu algumas derrapadas com Damages, espero que Justified seja mais parecido com o primeiro caso.

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Um Olhar do Paraíso (Dir.: Peter Jackson)

**contém óbvios spoilers**

O maior acerto de Peter Jackson, além da escalação dos atores que interpretam o contraste do bem e do mal, é o modo como ele alterna sutileza com histeria, criando um clima às vezes brega e outras vezes cheio de alma para seu filme.

O choque visual que ele tenta passar com sua representação de limbo e céu, não chega a ser tão impressionante quanto a sua falta de foco nas motivações de seus personagens, a tentativa de mostrar o luto da família, e a constante luta da protagonista entre vingar sua morte ou deixar sua família em paz, muitas vezes se perde em um roteiro arrastado, buscando lá no fim referencias no começo do filme, que para os mais desatentos, passaram despercebidos e não surtiu efeito.

De qualquer forma, Saiorse Ronan e Stanley Tucci defendem muito bem seus personagens, em atuações passando do caricato ao sutil, assim como o filme, deixando-o muito melhor do que ele realmente é.

Jackson talvez não seja o diretor ideal para esses projetos, mas é inegável sua paixão pela história, e sua tentativa de sensibilizar o público, pois por mais que sua megalomania visual às vezes atrapalhe a conexão com o filme e personagens, sua direção consegue disfarçar quando necessário, principalmente em cenas aonde a tensão é necessária (o encontro dos personagens de Tucci e Ronan, e depois o encontro de Tucci com a irmã da protagonista) ou quando a emoção e sentimentos se tornam o carro chefe do filme (a cena da vela e a direção incrível de Jackson na perseguição de Wahlberg e Tucci no milharal, com Ronan de espectadora).

Melhores de 2009: Ator.


A persona de Joaquin Phoenix talvez não combinasse com um personagem como esse, mas aí que está o grande motivo pela qual sua atuação seja tão elogiada: ele simplesmente esconde essa persona e vive o personagem, não parece uma atuação, é como se a câmera o estivesse acompanhando por pura casualidade.

Outros Indicados (por ordem de preferência):

Ryan Gosling (A Garota Ideal)
Jeremy Renner (Guerra ao Terror)
Joseph Gordon-Levitt ((500) Dias com Ela)
Daniel De Oliveira (A Festa da Menina Morta)