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Filmes do Oscar: Bravura Indômita

Depois da poeira tomar conta do blog, e da minha vontade finalmente aparecer. Resolvi voltar. Mas com nada tão apurado, apenas uma série de posts com um breve comentário sobre cada um dos 10 indicados a melhor filme.

Bravura Indômita é uma adaptação do livro homônino de Charles Portis, apesar de muitos considerarem um remake do filme feito em 1969 com John Wayne (que lhe rendeu Oscar de Melhor Ator). Aqui os Coen mais uma vez entram no mundo do western, e conseguem manter a fidelidade de muitas obras consagradas, como Os Imperdoáveis e McCabe & Mrs. Miller. Todos os diálogos envolvendo a protagonista  (Hailee Steinfeld, ótima) no começo do filme, já é a marca consagrada dos filmes dos irmãos, que conseguiram balancear diálogo espertinho e ação da maneira correta. No mais, Jeff Bridges está sensacional como o federal bêbado, assim como Matt Damon e seu LaBouef, um Ranger que preza pelo lado correto do serviço. Cotação: A-

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Melhores de 2009: Direção.

O filme tem seus detradores e amantes e bla, bla, bla, porém é inegável a força que a direção impõe à ele, e tudo isso só é possível graças a visão incrível de Bigelow e o tom urgente que ela passa em cada frame.

Outros Indicados (ordem de preferência):

James Gray (Amantes)
Clint Eastwood (Gran Torino)
Olivier Assayas (Horas de Verão)
Quentin Tarantino (Bastardos Inglórios)

Um Olhar do Paraíso (Dir.: Peter Jackson)

**contém óbvios spoilers**

O maior acerto de Peter Jackson, além da escalação dos atores que interpretam o contraste do bem e do mal, é o modo como ele alterna sutileza com histeria, criando um clima às vezes brega e outras vezes cheio de alma para seu filme.

O choque visual que ele tenta passar com sua representação de limbo e céu, não chega a ser tão impressionante quanto a sua falta de foco nas motivações de seus personagens, a tentativa de mostrar o luto da família, e a constante luta da protagonista entre vingar sua morte ou deixar sua família em paz, muitas vezes se perde em um roteiro arrastado, buscando lá no fim referencias no começo do filme, que para os mais desatentos, passaram despercebidos e não surtiu efeito.

De qualquer forma, Saiorse Ronan e Stanley Tucci defendem muito bem seus personagens, em atuações passando do caricato ao sutil, assim como o filme, deixando-o muito melhor do que ele realmente é.

Jackson talvez não seja o diretor ideal para esses projetos, mas é inegável sua paixão pela história, e sua tentativa de sensibilizar o público, pois por mais que sua megalomania visual às vezes atrapalhe a conexão com o filme e personagens, sua direção consegue disfarçar quando necessário, principalmente em cenas aonde a tensão é necessária (o encontro dos personagens de Tucci e Ronan, e depois o encontro de Tucci com a irmã da protagonista) ou quando a emoção e sentimentos se tornam o carro chefe do filme (a cena da vela e a direção incrível de Jackson na perseguição de Wahlberg e Tucci no milharal, com Ronan de espectadora).

Melhores de 2009: Ator.


A persona de Joaquin Phoenix talvez não combinasse com um personagem como esse, mas aí que está o grande motivo pela qual sua atuação seja tão elogiada: ele simplesmente esconde essa persona e vive o personagem, não parece uma atuação, é como se a câmera o estivesse acompanhando por pura casualidade.

Outros Indicados (por ordem de preferência):

Ryan Gosling (A Garota Ideal)
Jeremy Renner (Guerra ao Terror)
Joseph Gordon-Levitt ((500) Dias com Ela)
Daniel De Oliveira (A Festa da Menina Morta)

Melhores de 2009: Atriz.


Muito difícil fazer qualquer coisa com um papel desses na mão, porém não preciso falar muito e dizer que Hawkins pegou o roteiro e simplesmente deixou a personagem viver, sem precisar de qualquer identificação ou empatia pela personagem.

Outras Indicadas (por ordem de preferência):

Meryl Streep (Julie & Julia)
Kristin Scott-Thomas (Há Tanto Tempo que Te Amo)
Kate Winslet (Foi Apenas um Sonho)
Caroline Abras (Se Nada Mais Der Certo)

Melhores de 2009: Ator Coadjuvante

É muito dificil definir o taxista Wilson interpretado por João Miguel, principalmente se tentarmos apenas nos concentrar no roteiro do filme, pois o grande desenvolvimento do personagem está no modo como João o conduz e isso fica claro desde o primeiro momento que aparece em cena.

Outros Indicados (por ordem de preferência):

Anthony Mackie (Guerra ao Terror)
Christoph Waltz (Bastardos Inglórios)
Michael Fassbender (Bastardos Inglórios)
James Franco (Milk – A Voz da Igualdade)

Melhores de 2009: Atriz Coadjuvante

Poucos atores conseguem encarnar um personagem e fazer tudo parecer natural, e sem muito esforço, Marisa Tomei consegue isso. A combinação de exibição física com o modo simples e natural que conduz sua personagem, Tomei se mostra uma das maiores forças do filme, ainda mais se a colocarmos lado a lado com o protagonista.

Outras Indicadas (por ordem de preferência):

Gwyneth Paltrow (Amantes)
Juliette Binoche (Horas de Verão)
Blanca Portillo (Abraços Partidos)
Cassia Kiss (A Festa da Menina Morta)

Melhores de 2009: Roteiro Adaptado

Roteiro por: John Ajvide Lindqvist

Usar o mito da vida eterna como uma metáfora para se construir uma história de amor não é nada novo, porém Lindqvist sabe o que faz quando insiste em deixar o mito se sobressair ao criar uma sucessão de violência, aonde não é necessário didatismo para mostrar como a vampira age, nem para mostrar como a vida do pequeno casal será ao longo dos anos.

Outro Indicados (por ordem de preferência):

Inimigos Públicos (Ronan Bennett, Michael Mann & Ann Biderman)
O Fantástico Sr. Raposo (Wes Anderson & Noah Baumbach)
Star Trek (Roberto Orci  & Alex Kurtzman)
Frost/Nixon (Peter Morgan)

Melhores de 2009: Roteiro Original

Roteiro por: Olivier Assayas

É um filme sobre o passado e como ele pode simplesmente sumir diante de qualquer pessoa. Assayas escreve aqui o roteiro definitivo sobre as lembranças e como se tornar adulto e perder todas as memórias de sua infância em poucos instantes pode ser doloroso para alguns e insignificante para outros. É a definição de seguir em frente, esquecendo tudo o que ficou para trás.

Outros Indicados (por ordem de preferência):

Guerra ao Terror (Mark Boal)
Bastardos Inglórios (Quentin Tarantino)
Se Nada Mais Der Certo (José Eduardo Belmonte & Luis Carlos Pacca)
Up – Altas Aventuras (Bob Peterson, Pete Docter & Thomas McCarthy)

Férias Frustradas de Verão (Dir.: Greg Mottola)

O filme imprime um tipo de romance que muitas vezes fica preso nas pessoas, como se se expressar fosse algo ruim, assim vivendo na pressão dos sentimentos e nunca deixando a máscara cair. E o filme é isso, não existem máscaras, é tudo muito simples, com pessoas agindo por impulsão, sendo generosas, amáveis, detestáveis, corretas, incorretas, etc. Uma total incoerência de atos, ou seja, um retrato bem natural da realidade.

O personagem principal foge do estereótipo de loser, que sempre se dá mal e no fim fica com a gostosa, aqui, ele pavimenta seu caminho, sofre as conseqüências de suas ações e mostra que não é tão perdedor como os outros acham.

Greg Mottola sabe conduzir sua história sem nunca estar fora de sincronia com seu roteiro. Sua direção é segura e valoriza os atores e o ótimo cenário, transformando-o em um personagem. O tipo de personagem que serve como um ponto de transformação e conhecimento para o protagonista, o clichê básico, porém muito bem utilizado.